NARA--NADJA
Como se fosses o Anjo da Guarda
meu e de Portugal
e estivesses de regresso às Origens
acabada de chegar dos Brasis...
Um dom Sebastião feito de estilhaços
longos cabelos ondulados
e brilhantes madeixas de cigana
com traços mestiços
particularmente no torso e no rosto
de cera.
Máscara Alucinada
feiticeira profanada
marciana boneca mecânica
parece que caíste aqui neste
outro interior nodestino
por uma distração do destino
ENVELOPE
Estou encerrado no ventre deste envelope
com estas palavras
um íman atraiu-me do céu e sol
da luz e dos astros !
Para onde me dirijo
há uma data ou uma cidade
um bilhete postal
e no verso uma frase exacta !
Um envelope é um poema que voa
transpõe pontes até chegar às tuas mãos
recipiente imortal onde
as almas se apresentam !
Em cega convulsão
sou água escavada no fundo deste poema
sou chamamento !
O que sobra dum envelope
são palavras de uma invisível inteligência
como quem conversa a sós
são pássaros brancos
sumptuosos trajes
arrancados a esta Maldição !
Estou encerrado no ventre deste envelope
com estas palavras
um íman atraiu-me do céu e sol
da luz e dos astros !
Para onde me dirijo
há uma data ou uma cidade
um bilhete postal
e no verso uma frase exacta !
Um envelope é um poema que voa
transpõe pontes até chegar às tuas mãos
recipiente imortal onde
as almas se apresentam !
Em cega convulsão
sou água escavada no fundo deste poema
sou chamamento !
O que sobra dum envelope
são palavras de uma invisível inteligência
como quem conversa a sós
são pássaros brancos
sumptuosos trajes
arrancados a esta Maldição !
PANCADAS DIVINAS !
Ó destino do Azul ?
hesito !
Um enorme rochedo prateado de estrelas
simboliza para mim o Além !
Procuro o botão da televisão
liguei o rádio
entalei a cabeça nos auscultadores
e louco de desejo ditei durante longas horas
cartas !
Está escondida na mente um compartimento secreto
que contem a chave de outro secreto compartimento
escondido no primeiro !
Repercutiam-se nas paredes do Mosteiro
Pancadas Divinas !
Ó destino do Azul ?
hesito !
Um enorme rochedo prateado de estrelas
simboliza para mim o Além !
Procuro o botão da televisão
liguei o rádio
entalei a cabeça nos auscultadores
e louco de desejo ditei durante longas horas
cartas !
Está escondida na mente um compartimento secreto
que contem a chave de outro secreto compartimento
escondido no primeiro !
Repercutiam-se nas paredes do Mosteiro
Pancadas Divinas !
FUI ATINGIDO !
Fui atingido no centro da minha vida
e o silèncio destas paragens já não me serve de consolo !
Já não me basta estar quieto
estar vivo ó quietude !
Por que caminhos traçados me levas
de braço dado com a morte perniciosa
natureza--espectro !
Numa bandeja errante por que caminhos calcinados me levas
ao encontro de quem ?
Com a mão negligentemente entre as coxas
que ídolo absolvias ?
Ao longe ouvem-se os tambores !
tumores que aumentam
como uma roleta russa fui atingido !
Dentro de um poema obscuro
bem no centro da minha vida
retirado para um além fora do mundo
nada posso pedir-te !
Tu sais à arena e desapareces febril
no final apenas arriscamos a vida
por um poema de amor louco !
FUI ATINGIDO !
um estouro ficou agrafado
e sugado ao poema SIM !
Fui atingido e fechado fiquei
as horas sucedem-se descarnadas
e com marcas de GARRAS !
Fui atingido no centro da minha vida
e o silèncio destas paragens já não me serve de consolo !
Já não me basta estar quieto
estar vivo ó quietude !
Por que caminhos traçados me levas
de braço dado com a morte perniciosa
natureza--espectro !
Numa bandeja errante por que caminhos calcinados me levas
ao encontro de quem ?
Com a mão negligentemente entre as coxas
que ídolo absolvias ?
Ao longe ouvem-se os tambores !
tumores que aumentam
como uma roleta russa fui atingido !
Dentro de um poema obscuro
bem no centro da minha vida
retirado para um além fora do mundo
nada posso pedir-te !
Tu sais à arena e desapareces febril
no final apenas arriscamos a vida
por um poema de amor louco !
FUI ATINGIDO !
um estouro ficou agrafado
e sugado ao poema SIM !
Fui atingido e fechado fiquei
as horas sucedem-se descarnadas
e com marcas de GARRAS !
ENTRO MUDO & SAIO CALADO
Intacto como um poema
eu próprio entro mudo
e saio calado !
Respirava crispado
em imundo embaraço
já pulsa o morto enfermo
tão raro !
E encontrado descuidado
vivo como um feiticeiro delicado
sobrenatural mantenho-me à espreita
à espera !
Um sorriso por favor
para a fotografia !
Intacto como um poema
eu próprio entro mudo
e saio calado !
Respirava crispado
em imundo embaraço
já pulsa o morto enfermo
tão raro !
E encontrado descuidado
vivo como um feiticeiro delicado
sobrenatural mantenho-me à espreita
à espera !
Um sorriso por favor
para a fotografia !
RELÍQUIAS
Os aventureiros que passam por um largo portão
os aventureiros que se passam !
--- O que se está a passar com as estátuas ?
Quem se aventurou para dentro de um espelho ?
dum sótão à procura de relíquias
minhas irmãs e irmãos
meus e minhas
Alices do País das Maravilhas
o Comité Central do meu eu
ama-vos !
Os aventureiros que passam por um largo portão
os aventureiros que se passam !
--- O que se está a passar com as estátuas ?
Quem se aventurou para dentro de um espelho ?
dum sótão à procura de relíquias
minhas irmãs e irmãos
meus e minhas
Alices do País das Maravilhas
o Comité Central do meu eu
ama-vos !
NUNCA !
Abrem-se portas lentas
medievais nos seus complicados gonzos.
Em tudo isto parece que sinto
a existência de algo imaterial frio demoníaco !
De olhos friamente exaustos
movendo-se na mesa à luz de um candeeiro
nas paredes e no chão
horas do meu relógio de pulso
vozes maquinismo de manuscritos crepitando
a raiz retocando fugitivamente.
Ah sim, alimento a horas certas os meus bichinhos de estimação
mesmo quando lá fora está um tempo inflamado de Verão
ou na severidade do Inverno.
Não me interessa saber onde estou
afinal nunca mudei de lugar
NUNCA !
Abrem-se portas lentas
medievais nos seus complicados gonzos.
Em tudo isto parece que sinto
a existência de algo imaterial frio demoníaco !
De olhos friamente exaustos
movendo-se na mesa à luz de um candeeiro
nas paredes e no chão
horas do meu relógio de pulso
vozes maquinismo de manuscritos crepitando
a raiz retocando fugitivamente.
Ah sim, alimento a horas certas os meus bichinhos de estimação
mesmo quando lá fora está um tempo inflamado de Verão
ou na severidade do Inverno.
Não me interessa saber onde estou
afinal nunca mudei de lugar
NUNCA !
EM VIAGEM COM UM ENGENHEIRO NAVAL !
(a pensar talvez na Joana Pestana engenheira "naval" ( ! ? ) de profissão...)
Emblemático creio no Álvaro de Campos
com tacho ao lume num quarto da baixa lisboeta...
para a eternidade redimeste-te em efabulações épicas de transatlânticos
visitados num quarto (de que hotel?) da baixa
sobre uma inconfidente drogaria de esquina
E mais tarde lá para o fim da tarde
a vida a bordo descrevias em instântaneos poemas
ouvidos por amigos e irmãos
nas mesas dos Cafés do Degelos...
Ali para o Rossio
ou caminhando pela Rua do Carmo acima
parecia alto e fino
como uma espécie de vento o empurrasse
e uma marreca presentia-se de tão alto e fino
E ele o engenheiro naval
a lado algum teria chegado
e quanto a mares estamos falados só interiores
vistos de uma secreta escotilha
com um mar batendo
numa gutural ressurreição através de palavras
dos poemas
Penso que todos
os heterónimos de Pessoa são poetas ?
Ou estou enganado ? Só faltou reinventar-se piloto
de um hidrovião !
(a pensar talvez na Joana Pestana engenheira "naval" ( ! ? ) de profissão...)
Emblemático creio no Álvaro de Campos
com tacho ao lume num quarto da baixa lisboeta...
para a eternidade redimeste-te em efabulações épicas de transatlânticos
visitados num quarto (de que hotel?) da baixa
sobre uma inconfidente drogaria de esquina
E mais tarde lá para o fim da tarde
a vida a bordo descrevias em instântaneos poemas
ouvidos por amigos e irmãos
nas mesas dos Cafés do Degelos...
Ali para o Rossio
ou caminhando pela Rua do Carmo acima
parecia alto e fino
como uma espécie de vento o empurrasse
e uma marreca presentia-se de tão alto e fino
E ele o engenheiro naval
a lado algum teria chegado
e quanto a mares estamos falados só interiores
vistos de uma secreta escotilha
com um mar batendo
numa gutural ressurreição através de palavras
dos poemas
Penso que todos
os heterónimos de Pessoa são poetas ?
Ou estou enganado ? Só faltou reinventar-se piloto
de um hidrovião !
Estão os Hóspedes
Dos Hoteis Sobrenaturais !
Quem o escreveu foi um hóspede
Agora falta-lhe o ar
Depois de andar entre terras e gentes
Vê-se compositor de uma Suite
Barroca e Mineral !
Sarabandas ó Hóspede
Numa conexão espacial !
PARTI EM BUSCA DE FUTURO PARA O OESTE
PORQUE TINHA NAS NARINAS O ODOR DA CAÇA !
A piedade é dominadora !
A agonia faz sarar as feridas !
Visões esvoaçavam atrás de mim nas ruas
E sei da raça secreta que me costuma entrar pela casa...
Interpreto este papel... !
Saí das vossas divagações
pois um vento subterrâneo faz rodar um catavento.
Explorei cataratas de rios
acabei a contar minhas aventuras
parti em busca de futuro para o Oeste !
E deixei por lá uma Anunciação !
Sou responsável pela elevação das estruturas muradas !
Eternidade errai pelas capas rijas dos livros
máquinas alucinadas !
Eu o louco, adivinhem o lobo na pele de outro indíviduo
quando em bandos pássaros descem para o Inverno
e não voltam !
Fica entre mim e os outros uma Zona de Ninguém
uma coutada de caça !
Não se encontrava nenhuma povoação
andam-se quilómetros sem encontrar um homem
vim-me refugiar neste "monte"
num lugar próximo da Penha !
Percorrida por fios azulados de Alta Voltagem
uma escrita despedaça-me os sentidos !
A frase tornara-se longa e insustentável !
Mas era tarde para eu parar
porque tinha nas narinas o Odor da Caça !
PORQUE TINHA NAS NARINAS O ODOR DA CAÇA !
A piedade é dominadora !
A agonia faz sarar as feridas !
Visões esvoaçavam atrás de mim nas ruas
E sei da raça secreta que me costuma entrar pela casa...
Interpreto este papel... !
Saí das vossas divagações
pois um vento subterrâneo faz rodar um catavento.
Explorei cataratas de rios
acabei a contar minhas aventuras
parti em busca de futuro para o Oeste !
E deixei por lá uma Anunciação !
Sou responsável pela elevação das estruturas muradas !
Eternidade errai pelas capas rijas dos livros
máquinas alucinadas !
Eu o louco, adivinhem o lobo na pele de outro indíviduo
quando em bandos pássaros descem para o Inverno
e não voltam !
Fica entre mim e os outros uma Zona de Ninguém
uma coutada de caça !
Não se encontrava nenhuma povoação
andam-se quilómetros sem encontrar um homem
vim-me refugiar neste "monte"
num lugar próximo da Penha !
Percorrida por fios azulados de Alta Voltagem
uma escrita despedaça-me os sentidos !
A frase tornara-se longa e insustentável !
Mas era tarde para eu parar
porque tinha nas narinas o Odor da Caça !
AS RUÍNAS, AS GAVETAS, OS MUROS
Citarei alguns pormenores das cidades arruinadas pelo fogo, pela passagem dos anos, e também pela ambição desmesurada dos homens.
Cidades que o desconhecimento nos mapas empresta a grandiosidade do inacessível.
A marca de uma suposta existência das casas num terreno agora vago e varrido pelas sombras sufocantes das encostas adjacentes e do vento. Erosão. O Belo. Nada mais.
Cinzas pairando sobre o quadrado penetrante dos alicerces vazios.
A Casa. O resplandecer de dias e dias consecutivos. A fadiga.
O olhar abarcando ingloriamente as ruínas, as gavetas, os muros.
Templos atolhados de aves pressagiosas. Corvos, gaivotas, milhafres rasgam com o bico a régua e compasso um Círculo Perfeito de Atrocidades. Sofrimento reconheço.
As noites sucedem-se. E fazem-se sentir no peso expectante de uma infinita ameaça !
Citarei alguns pormenores das cidades arruinadas pelo fogo, pela passagem dos anos, e também pela ambição desmesurada dos homens.
Cidades que o desconhecimento nos mapas empresta a grandiosidade do inacessível.
A marca de uma suposta existência das casas num terreno agora vago e varrido pelas sombras sufocantes das encostas adjacentes e do vento. Erosão. O Belo. Nada mais.
Cinzas pairando sobre o quadrado penetrante dos alicerces vazios.
A Casa. O resplandecer de dias e dias consecutivos. A fadiga.
O olhar abarcando ingloriamente as ruínas, as gavetas, os muros.
Templos atolhados de aves pressagiosas. Corvos, gaivotas, milhafres rasgam com o bico a régua e compasso um Círculo Perfeito de Atrocidades. Sofrimento reconheço.
As noites sucedem-se. E fazem-se sentir no peso expectante de uma infinita ameaça !

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