segunda-feira, 2 de setembro de 2013


 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Vida e Obra de Lord Byron

 
George Gordon Noel Byron nasceu em 22 de janeiro de 1788, em Londres. Apesar de nascer em família rica, seu pai, Capitão John Byron, era um "bon-vivant" que destruiu toda a riqueza. Sua mãe, Catherine Gordon Byron, vinha da família dos Gordons escocês, uma família tradicional e muito conhecida por sua ferocidade e violência. Havia, junto com a esposa, imigrado para a França para fugir das cobranças de credores. Porém, como ela não queria que seu rebento nascesse em solo francês, não hesitou em voltar à ilha da rainha. John ficou e encontrou abrigo na casa de sua irmã. Em 1791, ele encontrou a morte, aparentemente por suicídio, aos 36 anos. Logo após o nascimento de Byron, sua mãe o levou para a Aberdeen, Escócia, onde uma deformidade em seu pé logo ficou evidente.
Ganhou botas especiais e passou por inúmeros tratamentos mas logo deixou estas dolorosas experiências para trás. O pequeno George vivia mergulhado em leituras, com atenção especial para a história de Roma. Mas sua infância não se resumia a isto. Ele era marcado pelo amor. Aos sete anos, Byron se apaixonou perdidamente por sua prima, Mary Duff. Aos nove, sua babá o introduziu aos prazeres da carne.
Com 10 anos, Byron herda o título nobiliárquico de um tio-avô, tornando-se o sexto Lord Byron. As finanças minguavam. Tudo o que remetia ao nome dos Byron era motivo de processos por dívidas. O pequeno Byron foi enviado para a academia do doutor Glennie, em Dulwich, e logo em seguida, para Harrow. Durante um Natal, ele retornou para Newstead, que havia sido alugada por Lorde Ruthyn, que o iniciou no bissexualismo. Apaixonou-se perdidamente por Mary Ann Chaworth, uma vizinha. Ficou tão obcecado que se recusou a voltar. Ruthyn praticamente o obrigou a retornar.
Em sua adolescência, Byron foi tomando consciência de seu poder. Possuidor de carisma, beleza e poder de sedução, ele logo começou a aproveitar seus dons. Envolveu-se com colegas, empregadas, professores, prostitutas e garotas que adoravam um título de nobreza.
Em 1805, Byron teve um grande choque. Mary Ann casou-se. Logo, ele se torna mais rebelde ainda. Arrumou um emprego em Cambridge mas nunca trabalhava, já que esta era a moda para os descolados da época. Era o tédio, o "spleen". Era a forma que os, então, românticos viviam a vida, e da qual Byron foi o mestre supremo. Escrevia versos e mais versos e gastava muito dinheiro. Após entrar na "Trinity College" de Cambridge, em 1807, publica seu primeiro livro de poesia, Hours of Idleness (Horas de ócio), mal recebido pela crítica da prestigiosa Edinburgh Review. Byron respondeu com o poema satírico English Bards and Scotch Reviewers (Bardos ingleses e críticos escoceses), em 1809.
Em 1811, publica os dois primeiros cantos de Childe Harold's Pilgrimage (Peregrinação de Childe Harold), longo poema em que narra as andanças e amores de um herói desencantado, ao mesmo tempo em que descreve a natureza da península ibérica, Grécia e Albânia. A obra alcançou sucesso imediato e sua fama se consolidou com outros trabalhos, principalmente The Corsair (O Corsário) em 1814 e Lara no mesmo ano; além de The Siege of Corinth (O Cerco de Corinto) em 1816. Nesses poemas, de enredos exóticos, Byron confirmou seu talento para a descrição de ambientes.
Em 1815 casa-se com Anne Milbanke. Muda-se para a Suíça em 1816, após o divórcio de Lady Byron, causado pela suspeita de incesto do poeta com sua meia-irmã Augusta Leigh. Na Suíça escreve o canto III de Childe Harold's Pilgrimage, The Prisoner of Chillon (O prisioneiro de Chillon) e o poema dramático Manfred, enigmático e demoníaco. Em Genebra vive com Claire Clairmont e faz-se amigo de Shelley. Passam horas discutindo filosofias e poesias. Navegavam pelo lago e visitam os cenários da Nova Heloísa, de Rousseau. Chegaram, inclusive, a trocar rosas e carícias.
Numa noite chuvosa em Diodati, o grupo decidiu compor histórias macabras. Nasceu ali Frankenstein de Mary Shelley e O Vampiro de Polidori.
Compôs então, em 1818, o canto IV de Childe Harold's Pilgrimage e Beppo - A Venetian Story (Beppo - Uma história veneziana), poema em oitava-rima, de tom ligeiro e cáustico, em que ridiculariza a alta sociedade de Veneza. Em 1819 começou o poema herói-cômico Don Juan, sátira brilhante e atrevida, à maneira do século XVIII, que deixaria inacabada. No mesmo ano ligou-se à condessa Teresa Guiccioli, seguindo-a a Ravena onde, juntamente com o irmão dela, participou das conspirações dos carbonários.
Em novembro de 1821, tendo fracassado o movimento revolucionário dos carbonários, Byron partiu para Pisa. Em 1822 fundou, com Leigh Hunt, o periódico The Liberal. Foi a seguir para Montenegro e daí para Gênova. Nomeado membro do comitê londrino pela independência da Grécia, embarcou para aquele país em 15 de julho de 1823, a fim de combater ao lado dos gregos, os turcos, onde escreveu o drama The Deformed Transformed (O Deformado Transformado), em 1824.



Passou quatro meses em Cefalônia e viajou para Missolonghi, onde morreu em 19 de abril de 1824, após contrair uma misteriosa febre.



(Na imagem estátua de Lord Byron em Villa Borghese, Roma)

A obra e a personalidade romântica de Lord Byron tiveram, no início do século XIX, grande projeção no panorama literário europeu e exerceram enorme influência em seus contemporâneos, por representarem o melhor da sensibilidade da época, conferindo-lhe muito de sedução e elegância mundana. Lord Byron teve uma vida pessoal bastante conturbada: na juventude foi acusado de abuso sexual pela prima, homossexualismo e também foi um dos primeiros escritores a descrever os efeitos da maconha. Em meio a toda essa agitação existencial, que se tornou o paradigma do homem romântico que busca a liberdade, Byron escreveu uma obra grandiloqüente e passional. Encantou o mundo inicialmente com seus poemas narrativos folhetinescos, em que não faltam elementos autobiográficos, como Childe Harold's Pilgrimage, e depois o assustou com a faceta satírica e satânica que apresenta em poemas como Don Juan. Foi um dos principais poetas ultra-românticos. O cinismo e o pessimismo de sua obra haveriam de criar, juntamente com sua mirabolante vida, uma legião de jovens poetas "byronianos" por todo o mundo, chegando até o Brasil na obra de grandes escritores, como Álvares de Azevedo.

sábado, 31 de agosto de 2013

Sábado, 31 de Agosto de 2013


3º Encontro com Escritores da Lusofonia: com o apoio do MIL...



recolhi tudo ainda o sol se erguia dos pântanos
os bastiões agitavam-se na neblina
abriam-se em silêncios
e
os vapores maldosos imiscuíam-se no teu quarto

as longas estradas desertas silenciavam-se como se reclamassem, já, o saque.
sabes?...
as minhas janelas sofrem pela ausência de cortinas
e ...
quando saboreio pedaços da minha cidade
contemplo os edifícios agonizantes nos hospitais
hoje
irás guiar-me com os teus olhos d'ouro

até ao farol

até ao teu corpo
 
Manuel Almeida e Sousa

António Ramos Rosa e Polishop de Tiago Nené



António Ramos Rosa lê o livro Polishop, do poeta do algarve Tiago Nené. Polishop é o último livro da colecção de poesia Palavra Ibérica, um dos projectos Linguagem de Cálculo. Um poema aqui.

Mais silêncio mais sombra


Imperceptiblement du jeu se produit dans le système, quelque chose bouge, la vie change. Le système n’est pas omnipotent, nous changeons en lui, malgré lui. Et qui sait ce que nous serons demain?


Mikel Dufrenne, Subversion


Sempre falaram alto. Muito alto. Demasiado alto. Todos exemplares e eufónicos, erectos no seu convencimento, na segurança de si, no excesso da personalidade e da expressão. Ouvia-os e não os ouvia, ficava mudo e adiado, admirando-os, invejando-os, anulado definitivamente sem o horizonte de uma palavra. A sua sabedoria era veloz, eléctrica, transbordante. Vozes não eróticas, não silenciosas, não pedestres. Vozes, vozes de ébria sapiência, de chaves e de risos, clamor de evidências. Não os oiço já e continuam sempre, velozmente vitoriosos, incontinentes, insuperáveis. Eles continuarão mesmo depois da minha morte. Mesmo quando a sombra cai, eles continuam o seu discurso fluente e soberano. Onde quer que estejam, falam sempre alto, senhores de si, senhores de tudo. Poderei eu alguma vez dizer uma palavra? O seu discurso anulava-me, eu nunca tinha uma palavra a dizer, a não ser a que ainda seria uma continuação do discurso deles, uma excrescência de mim próprio. Porque eu admirava-os como modelos e queria integrar-me no seu sistema, queria ser como eles, um deles, um senhor também.

Mas que era eu senão a crispada carência do vigor e do rigor da palavra desses senhores? Não, nunca fora capaz de superar a minha rígida mudez quando eu não sabia ainda que o silêncio poderia ser a nascente de outra palavra, uma palavra diferente de todas aquelas vozes que me ofuscavam e me roubavam a mim mesmo. Sim, o silêncio. Que importa que as vozes dos senhores continuem sempre soberanas, sempre fluentes, sempre totalitárias? A grande revolução não será feita pelas palavras deles mas quando o silêncio impregnar as palavras para que nelas transpareça o que está para além das palavras. Sim, nós não sabemos ainda, ainda não começámos sequer. Apenas sabemos que a metamorfose do silêncio mudará o mundo, porque o mundo deixar-se-á ver tal qual ele é, e nós seremos outros. Para que isso possa acontecer, temos de destruir a linguagem, tudo o que na linguagem se interpõe entre nós e o real, para que só a visão nua do silêncio ilumine a realidade. É urgente destruir as palavras para as reconstruir na sua essência inaugural. É urgente inventar a simplicidade extrema de uma palavra viva e nua, a palavra do silêncio. Entramos nas águas vivas da linguagem e do real, unidos e inteiros, no silêncio da palavra e na palavra do silêncio. Não, não se trata de uma profecia. É a nossa própria urgência de viver que nos levará a descobrir a linguagem do silêncio, a única que nos libertará da violência totalitária do sistema. Que importa que os senhores falem e continuem a falar? Sempre alto. Muito alto. Demasiado alto. O silêncio é mais forte, mais puro.

Por enquanto o frenesim domina, estas palavras mesmo. Mas a escrita é a última possibilidade de fuga, a respiração ainda. Porque nós estamos cerrados, ameaçados de esmagamento, de emparedamento e de asfixia. É preciso não perder um só instante, é preciso construir com a sombra e o silêncio. Temos de minar a língua para que ela se abra e nos abra. Não podemos esperar mais. A libertação é possível, talvez nada seja mais simples, mais elementar, mais nu. Deixemos falar os senhores, os que sabem, os que querem dominar. Nós não sabemos mas, na nossa ignorância, sentimos o apelo urgente de um começo, que é o núcleo do silêncio e da palavra. Sim, tudo poderá começar, tudo vai começar. Porque a realidade, na sua verdade primordial, não está perdida, não é um sonho nem uma ilusão nem uma nostalgia. O surgir absoluto da sua presença é a matéria mesma da linguagem salva e da visão liberta. Sim, podemos libertar-nos se soubermos dizer a palavra viva que dá voz ao habitante secreto e primordial do nosso corpo, alguém que é ninguém, ninguém que é alguém, sempre ausente mas vivo nas nossas células, na submersa nascente que inaugura o mundo. É aí, no mais íntimo, que nos apagamos, mas é também aí que o silêncio se incendeia, iluminando a realidade e unindo-nos a ela. É o nascimento de nós mesmos e o nascimento do mundo. Na suprema suavidade desta fusão, somos livres e unos, idênticos e puros. É aí que habita o silêncio primordial e é a partir daí que principia a metamorfose essencial da linguagem e do ser. A pulsação viva da palavra é o fruto desta permeabilidade à silenciosa matriz do corpo. O vocábulo novo, retemperado pela nascente, substituirá o rigor rígido do conceito pela fluidez e fugacidade de uma respiração. Na sua intrínseca transgressão a palavra conduzir-nos-á à nudez viva do silêncio, à transparência do ilimitado.

(...)
António Ramos Rosa 
in Prosas seguidas de Diálogos  
4 Águas
  • Linguagem de Cálculo - Associação Cultural
  • Livros do Mundo Editora
  • Outros Projectos



  • MANUEL MADEIRA POR MARIA DO SAMEIRO BARROSO






    À DESCOBERTA DAS CAUSAS NO SORTILÉGIO DOS EFEITOS

    Manuel Madeira
    Poesia



    NA PAISAGEM POÉTICA, O UNIVERSO DO SER

                Neste trabalho poético, o mais recente de Manuel Madeira, autor que já nos habituou a poemas de fôlego, amplia a sua relação ôntica, percorrendo as várias vertentes da dialéctica tempo-espacial do eu poético, na sua articulação com o universo.
    No primeiro ciclo de poemas, constituídos por VI partes, intitulado Universo, o poeta posiciona-se exactamente no seu centro: «Estamos neste momento no Centro do Universo,/por mais que me afaste não me aparto do centro/ porque estou convosco pisando o mesmo chão/ que viaja connosco, que viajamos com ele.» (I, p. 9).
    O universo é desde logo enunciado como um centro de afectos, no qual o ser se integra, na sua dimensão cósmica. No segundo poema, a palavra é introduzida como elemento estabilizador, o único, através do que é possível estabelecer pontos de referência, ainda que frágeis, pois pressentimos aqui a corrosão do tempo e dos afectos, projectados na inevitabilidade da entropia do cosmo: «Só as palavras sonham ser estáveis e intactas/como estacas cravadas nas bermas devassadas,/mas nem elas resistem à corrosão entrópica/nem nós que as usamos somos impolutos.»(II, p. 10).
    A sua procura é intemporal, inscreve-se nas origens, remonta ao atomismo de Demócrito: «Falemos da forma e da essência das coisas,/procuremos a origem mais remota do ser/a causa das causas casuais das coisas/o nada original princípio e fim de tudo./Os gregos já tinham sonhado com o sonho,/Demócrito sonhou (...)». (III, p. 11).
    A «matéria dinâmica» consubstancia a energia endógena que conglomera em si todos os sentidos, incorporando o orgânico e o inorgânico: «Porque a matéria sonha e pulsa desde o verme à estrela»: (IV, p. 12).
    Na concepção de Friedrich Schiller (1759-1805), que possuía sólida formação na área das ciências, nomeadamente, na Medicina, o verdadeiro Poeta deveria incorporar em si todos os avanços científicos e conquistas do seu tempo[1].
    Há, de resto, ecos da Ode à Alegria (An die Freude) do jovem Friedrich Schiller: «Wollust ward dem Wurm gegeben,/Und der Cherub steht vor Gott».(Volúpia foi dada ao verme,/E o querubim ‘stá ante Deus.[2]).
    No séc. XVIII, está patente a concepção de Leibniz (1646-1716), segundo a qual: «os instintos não devem ser compreendidos como afectos, isto é, como “confusae repraesentationes[3].
    É no âmbito desta consciência (do final do século XVIII), ampliada e transposta para o século XXI que Manuel Madeira abre sobre si mesmo as portas do seu universo poético, que se constitui como «Substância original de toda a eternidade» (V, p. 13).
    Para a sua interrogação sobre o real, convoca Platão: «Platão sabia que o real é uma sombra/mas a sombra não é ipso facto o real:» (VI, p. 14).
                Partindo do seu «Início Instável» (título do poema da p. 16), fazendo o seu caminho através da sua «Oscilação cega» (título do poema da p. 17), a natureza, vivificada pela «fonte das palavras» inaugura a relação do poeta com a sua «essência intrínseca» (p. 20). No poema da página seguinte, o diálogo do poeta com natureza assume formas concretas: «Hoje tive a visita do melro preto com duas penas brancas» (p. 19) que se articulam com a sua «Autobiografia» (p. 20): «Trago sedimentos de palavras que são grãos/de areia de um deserto inesgotável» (p. 21).
    Nesta paisagem que Manuel Madeira nos vai confiando, a luz: «É uma sombra fóssil com raízes aéreas» (poema «Luz para iluminar um fóssil», p. 22).
    Tal como para Hans-Georg Gadamer(1900-2002): «Na verdade, o horizonte do presente está num processo de constante formação»[4]. Este processo não se forma à margem do passado: «Parte dessa prova é o encontro com o passado e a compreensão da tradição da qual nós mesmos procedemos[5].
    É neste devir poético que cabem e se abrem as «Estratégias do vento» (pp. 23- 27). Neste ciclo, o vento, sacudindo as ramagens da memória, convocando «o silêncio de um Nocturno de Chopin» ou, curiosamente o, já veladamente aludido «hino à alegria da nona sinfonia de Beethoven» e a conclusão de que «só os genes são responsáveis/porque são imortais como as partículas que os enformam.» (p. 25).
    No nosso tempo, é nos genes, no ADN, na ciência, em resumo, que o homem se revê, na sua necessidade arcaica de Deus e da Eternidade. : «A morte dos deuses é um sinal do tempo que nos viu nascer», afirmara nas Cartas Poéticas[6] que trocara com António Ramos Rosa. O ser é uma parte do Todo, corresponde a uma ínfimo resíduo cósmico, mas apenas nele pode projectar a sua certeza ou ilusão de Eternidade, uma vez que: «A morte dos deuses é um sinal do tempo que nos viu nascer»
    O vento é também um elemento estético, por excelência, que actua como dilecto agente transmutador da matéria e dos afectos: «O vento é neste caso um violino/percutido pelo arco de um poeta/que transforma a dor sofrida em alegria.» (IV, p. 27), onde «a música do silêncio» persiste «numa canção de Mahler» (p. 28).
    E a paisagem poética continua a desdobrar-se, nas meditações dos seus «Trajectos» (pp. 30-35), de onde o poeta emerge «Perdido às escuras entre fragrâncias claras» (p. 36). O uso recorrente de antinomias e ao oxímoron reforça a dialéctica desta poética. No verso seguinte: «é como estar soterrado na leveza das nuvens». As coisas e as vivências são transformadas: «A distância/ dilui-se em sensação. As palavras substituem/os objectos e os seres agora transformados em recordação/que acorda os momentos esculpidos/no espaço tempo que os levou consigo.» (p. 37).
    O tempo, que, para Schleiermacher (1768-1834): « já não é mais, primariamente, um abismo a ser transposto porque divide e distancia, mas é, na verdade, o fundamento que sustenta o acontecer, onde a actualidade finca as suas raízes[7], rodopiando, no seu imponderável eixo, é: «seta disparada à revelia dos sentidos» (p. 40), ou «(...) a ânsia indizível de o procurar» (Poema «Em memória de Marcel Proust/Todo o presente já passado» (p. 44), projectando-se prospectiva e retrospectivamente: «tacteando o vazio», «a ausência», «porque tudo é passado à velocidade da luz».
    A natureza fornece-lhe indícios seguros: «Vejo através da janela a trajectória das aves» (p. 42), enquanto o real lhe parece escapar: «Quanto mais falamos do Real/mais ele nos foge por entre os dedos vagos» (p.43).
    Pontuando esta poesia de pendor reflexivo filosófico, a música: «Embalado pela música», o tempo: «o tempo sem sentido que tem o sentido/ sentido por mim» e as palavras: «Surpreendo as palavras no seu leito de cal» (p. 47), articulam uma tríade na qual o ser poético se vincula ao real e ao onírico. Pela palavra que, conscientemente desperta: «Desperto-as para que me despertem/do sono vegetal em que sonho com elas»(p. 47), aspergindo a sua seiva para dentro de si, inscreve, na sua própria luz, a luz do universo e, em meditações metapoéticas: «A poesia desliza entre o silêncio e a palavra (Poema «Entre silêncio e a Palavra», p. 48).
    Entre os cometas, transformados em pintura, «Sobre um quadro de Kandinsky»(p. 51), «O vento que sacode os pensamentos» (p. 52) e retalhos do quotidiano, no qual o homem é o inexorável predador: «Chegaram os caçadores e as perdizes sabem» (Poema «Caça», p. 53), persiste o núcleo inconsciente presidindo, com a sua matéria de enigmas: «Todos os dias assisto e participo talvez inconsciente/na luta silenciosa (...)» (Poema «Enigmas», p. 54).
    A relação poema/verdade é assumida por Manuel Madeira: «O poema é a verdade É nela que se move/respira e canta mesmo que a respiração seja ofegante/e o canto doa até fazer sangrar» (p. 59).
    Goethe (1749-1832) enunciara uma poética ao serviço da verdade, no livro «Dichtung und Wahrheit» (Poesia e Verdade), tendo referido, na carta a Zelter, as suas obras como: «Es sind lauter Resultate meines Lebens, und die erzählten einzelnen Fakta dienen bloß, um eine höhere Wahrheit, zu bestätigen.» (São factos puros da minha vida e os pormenores dos factos narrados servem apenas para constatar uma verdade mais elevada)[8].
    Aos «Fakta» de Goethe, vêm-se sobrepor as «Erlebnisse» (vivências), palavra que só passou a ser utilizada nos anos 70 do séc. XIX. Tal como esclarece Hans-Georg Gadamer: «No século XVIII ela absolutamente ainda não existe, mas também Schiller e Goethe não a conhecem. A partir daí, a palavra “vivenciar” passa a carregar o tom da imediaticidade com que se abrange algo real»[9].
    Para este filósofo: «A corrente vivencial possui o carácter de uma consciência universal do horizonte, do qual só se dão realmente momentos individuais, como vivências.»[10].
    É a essa verdade, a essa totalidade, que Manuel Madeira se consagrara e já expressara nas Cartas Poéticas que trocara com António Ramos Rosa, seu amigo de juventude: «Suspendo um pouco a mão sobre o papel/para deixar fluir por todo o corpo o pensamento/porque sou eu inteiro que escrevo e penso»[11].
                Nessa totalidade, Manuel Madeira mergulhara já a sua aspiração cósmica: «Aspiramos à implantação do ser/como quem implanta uma alfarrobeira ou um hibisco»[12].
                Uma alfarrobeira, planta tipicamente algarvia, terra natal dos dois poetas, ou o hibisco, exuberante flor meridional são um elo presente e acessível, nesse país poético.
                «Às vezes é tão pouco o que nos torna o passo leve», dissera, quase ciciando, António Ramos Rosa[13].
    A infância: «O aroma quente dos morangos» (p. 60), a grande explosão cósmica: «Tenha ou não havido a Grande Explosão» (p. 62), ou, de novo, cenários de um quotidiano mais próximo: (Poema «Era o Verão»), «Chegava montado numa pileca esconsa»(p. 63), são pontos de partida diversos que continuam a alternar.
    Nesta torrente poética em que «Ser livre é estar disponível e vazio» (Título do poema da p. 62), ou: «Em memória de Miguel Torga/no centenário do seu nascimento (título do poema da p. 65), Manuel Madeira sabe também reconhecer a aridez da vida: «mesmo aqui a Poesia te visitava», ou: «Nem sempre cantaste a alegria de viver/embora esse desejo permaneça fulgurante».
    «É artificiosa e matreira esta matéria mais ínfima», diz-nos na p. 67, «Vemos e sentimos o mundo à nossa imagem» (p. 69).
    Deste universo: «Talvez o círculo seja a figura dominante aproximada/deste universo aberto e sincopado que somos» (p. 73), tudo é imprevisível: (Título do poema «Anatomia do Amor Imprevisível», p. 74), porque «tudo o que existe poderia ser diferente/senão na essência ao menos na aparência».
    Mergulhando na sua própria génese: «Nada existia antes que não fosse tudo» (p. 75) e, nesta paisagem, a um tempo, cósmica, quotidiana, o poeta escava bem fundo, o mundo, nas suas margens abertas, porque, fulminando em si a luz, define o poema, afinal como:
    «um universo de letras»
    (Poema «Tempo do poema ou Poema do tempo», p. 76).

    Maria do Sameiro Barroso


    [1] [Josef Käufer], Versuch einer Einführung, in Friedrich Schiller, Medizinische Schriften, Hoffmann – La Roche, Munique, Anlaßdes 200. Geburstag des Dichters, 10 November 1959, p. 18.
    [2] Friedrich Schiller, poema À Alegria, in Paulo Quintela, Obras Completas, IV (Org. António Sousa Ribeiro), Traduções III, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1999, p. 344.
    [3] Leibniz, apud Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método. Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica (original: Wahrheit und Methode, Tübingen, 1986), trad. de Flávio Paulo Meurer, 3.ª ed., Vozes, Petrópolis, 1999, Primeira Parte, 1.1.3, β [p. 34] (74), nota 74.
    [4] Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método, Segunda Parte, 2.1.4, [p. 311] (457).
    [5] Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método, Segunda Parte, 2.1.4, pg. 311] (457).
    [6] Sexta carta a A.R.R., in António Ramos Rosa e Manuel Madeira, Cartas Poéticas in Idem, Trigésima primeira carta a A. R. R., Editora labirinto, Fafe, 2007, p. 23.
    [7] Schleiermacher, apud Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método, Segunda Parte, 2.1.3, [pg. 302] (445).
    [8] Johann Wolfgang Goethe, in | Brief| an Zelter, 15,2,1830, apud Hrsg. Richard Dobel, Das Lexicon der Goethe-Zitate, Patmos Verlag, , Albatros Verlag, Düsseldorf, 2002, p. 320.
    [9] Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método. Primeira Parte, 1.2.2.β [pg. 66] (117).
    [10] Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método, Segunda Parte, 1.3.1, [p. 250] (373).
    [11] António Ramos Rosa e Manuel Madeira, Cartas Poéticas, in Trigésima primeira carta a A. R., p. 77.
    [12] António Ramos Rosa e Manuel Madeira, Cartas Poéticas, in Sexagésima terceira carta a A.R.R., p. 144.
    [13] António Ramos Rosa e Manuel Madeira, Cartas Poéticas, in Quinta carta a Manuel Madeira, p. 20.


     



    A Biblioteca Municipal de Faro vai acolher, a partir de 4 de Março e até ao fim do mês a exposição «Rostos da Escrita», com desenhos do seu patrono, o poeta António Ramos Rosa, cujo novo livro também estará em destaque.

    Quanto à exposição, que integra cerca de 100 desenhos, tem a coordenação de Gisela Ramos Rosa, sobrinha do poeta, da Linguagem de Cálculo/Sulscrito e da Associação de Artistas Plásticos do Algarve, sendo comissariada por José Bívar.

    “Em António Ramos Rosa palavra, pintura e desenho dialogam entre si e com o mundo, tocam a condição humana, tocam-nos”, escreve Gisela Ramos Rosa no texto que integra o catálogo da exposição, no qual confidencia que o poeta farense “tem revelado o desejo de expor de novo os seus trabalhos, pois em cada desenho há um poema em projecção, que pretende chegar aos seus leitores”.

    Também no dia 4 de Março, pelas 18:00 horas, a biblioteca municipal recebe a apresentação do novo livro de António Ramos Rosa, «Prosas seguidas de diálogos», uma edição da 4Águas, que reúne textos de reflexão “sobre a poesia, a linguagem, o papel dos poetas na sociedade, diálogos e memória de vivências e de praxis política”.

    A apresentação estará a cargo de Manuel Madeira e de Fernando Esteves Pinto. 

    Fonte: Região Sul

     
    VIERNES 29 de abril

    18:30h. Teatro del Mar
    * Acto inaugural
    * Presentación de EDITA México 2010 / 2011

    19:00h. Teatro del Mar
    * Merz Mail (Barcelona) Pere Sousa : Las publicaciones de la Factoria Merz Mail y Mail Art – La Red Eterna
    * La Única Puerta a la Izquierda (Sestao, Bizkaia) Juan Jesús Sanz Morera : Edición Independiente especializada
    * Experimenta ... (Madrid) Yolanda Pérez Herreras : REDacción. Red Ibércia de Proyectos de Arte de Acción y Perfromances
    * Imanes Permanantes (Granada) Javier Seco : Visiones de un mirante (performance)
    * Editorial baile del Sol & UNAM (Tenerife/México) Uberto Stabile : Tan lejos de Dios, poesía mexicana en la frontera norte (documental)



    23:00h. El Casino (Plaza Pérez Pastor s/n)
    Recitales, performances y microconciertos
    1ª PARTE
    Carmen Ramos (Sevilla), Rocío Hernández Triano (Sevilla), Lorenzo Ortega (Sevilla), Ramiro Gairín (Zaragoza) Javier Gato (Sevilla), Pepa Giraldez Tinoco (Punta Umbría, Huelva), Pere Sousa (Barcelona) “Dadaphone 11.5” , Rodolfo Franco (Mérida/Brasil) “Almanak 2064” (performance)

    2ª PARTE
    Suzana Vargas (Brasil), Santiago Tobar (Cáceres), Carlos Aguasaco (Bogotá, Colombia), Juan Pardo Vidal (Málaga), Tarha Eran Sarmiento (Granada) “Peep Poetry Show” (performance), Felipe Zapico (León), Albert Lladó (Barcelona) “La realidad es otra”, Appu (México/Sevilla) “Era Hombre, Era Mito, Era Bestia” (microconcierto)



    SÁBADO 30 de abril

    10:00h. Teatro del Mar
    * Linguagem de Cálculo (Faro, Portugal) Tiago Nené y Fernando Esteves Pinto : Presentación de Linguagem de Cálculo
    * Babilonia A.C. (Valencia) Paco Pérez Belda : 15 años después de 15 años
    * Ediciones En Huida (Sevilla) Martín Lucia : El desafío de una revista literaria en papel
    * Ediciones Tabala (Elche, Alicante) Alicia Gracia Núñez : La historia sin nosotras
    * Eguzki Argitaldaria (Bilbao) Miguel Angel Zorrilla : Un antología poética vizcaino-holguinera
    * Buruti (Río de Janeiro, Brasil) Suzana Vargas : Revistas literarias brasileñas

    12:00h. Teatro del Mar
    * Chili Com Carne (Cascaias, Portugal) Joana Pires : Spreading Chili Sauce in Boring Europa
    * Ediciones Jog (Madrid) J. Seafree : Pienso luego edito
    * Bostezo (Godella, Valencia) Paco Inclán : Pluralidad, ¿hasta dónde? ¿Qué hace Mario Conde en una portada de Bostezo?
    * Centro de Poesía Visual (Peñarroya-Pueblonuevo, Córdoba) Francisco Aliseda : Los Encuentros de Poesía Visual
    * Comando Macondo (Mérida/Brasil) Rodolfo Franco : Almanak 2064
    * El Costurero de Aracne (Granada) Angel Sanz y Gabriel Ramos : Edición

    17:00h. Teatro del Mar
    * Calidoscopio (Madrid) Sonia Antón Ríos : 5 años de calidoscopio. La publicación en la red, otro tipo de impresión
    * El Gaviero Ediciones (Almería) Juan Pardo Vidal : El Gaviero analógico. Edición analógica
    * La Wevera (Mérida, Badajoz) Catalina Rivera : Trayectoria de La Wevera en el 2010
    * Dakmar Hernández Editora (Caracas, Venezuela) Dakmar Noelis Hernández : El mercado editorial en Venezuela: Autores locales y grupos editoriales frente a la edición y editores independientes.
    * Cangrejo Pistolero Ediciones (Sevilla) Antonio Gª Villarán y Nuria Mezquita : Diferentes caminos para sobrevivir en la Poesía
    * Editorial El Cerdo de Babel (Saltillo, Coahuila, México) Sergio Castillo Lara : Presentación del libro “De cómo se llegaron a a este valle de chichimecos unos españoles que los combatieron...”

    19:00h. Teatro del Mar
    * Píntalo de Verde (Mérida, Badajoz) Antonio Gómez : 3 x 3
    * Labolsa (Don Alvaro, Badajoz) Koke Vega : Esta es Labolsa nº 9 y por qué se ha retrasado
    * Lalata (Albacete) Manuela Martínez y Carmen G. Palacios : Lateros
    * Literaturas.com (Madrid) Nacho Fernández : Innovación editorial: del blog a la plataforma multilectura y audiovisual
    * Mester de Vandalia (Ceuta) Mª Jesús Fuentes : Oficio de Vandalos
    * Metamorfosis (Barakaldo, Bizkaia) José Blanco : Un lenguaje total (microconcierto)



    23:00h. El Casino (Plaza Pérez Pastor s/n)
    Recitales, performances y microconciertos
    1ª PARTE
    Ana Alvea Sánchez (Sevilla), Mario Alvarez Porro (Sevilla), Jorge Melícias (Coimbra, Portugal), J. Seafree (Madrid), Isabel Huete (Madrid) “Besos con-sentidos” , Koke Vega (Don Alvaro, Badajoz)“Eureka” (performance), Ricardo Bornez y Paz Fernandez (Madrid), “Cultura indigente dos años después”, Oswaldo Granda Paz (Barranquilla, Colombia) “El libro danzante”, Tiago Gomes y Pedro Moura (Lisboa, Portugal) “On the road” (microconcierto)

    2ª PARTE
    Mada Alderete (Madrid), Alba G. Alderete (Madrid), Pilar Gonzalez España y Pedro Tena (Toledo) “Poemas intervenidos”, La Más Bella (Madrid) “Carta al Director” (performance), Juan del Sur y Fernando Aníbal Cardona (Medellín Colombia), “Recital de canciones y poemas” (microconcierto), Victoria Moreno (Sevilla), Antonio Gª Villarán (Sevilla), Marga López (Sevilla), Vicio (Huelva) “Vicio-Vertedero” (microconcierto)



    DOMINGO 1 de mayo

    10:00h. Teatro del Mar
    * Editorial Ultramarina & Cartonera (Sevilla) Iván Vergara : La edición expandida
    * El Burro Verde Ed. (Moguer, Huelva) José Manuel Alfaro : El Burroverde: nuevos espacios Verdes
    * En sentido figurado (Sevilla) Ana Isabel Alvea : Expresiones artísticas en internet
    * La Tercera Luna (México DF) Charlotte Carranza : Tendencias actuales del Cuento y los beneficios de publicarlo
    * Ícaro Incombustible (Granada) Raúl D. Castellano: Mecanismos de participación en el arte y la cultura del siglo XXI
    * Artepoética Press Hispanic Publishing House (New York, EEUU) Carlos Aguasaco: Filogenia y Taxonomía de la bibliodiversidad hispana en los EEUU

    12:00h. Teatro del Mar
    * Cuadernos del Matemático (Getafe, Madrid) Matías Muñóz y Cristobal López: 22y+ (documental)
    * Islavaria Editorial (Salobreña, Granada) Pepe Varos : Presentación de novedades
    * Círculo Vicioso (Mérida, Badajoz) Ceferino López: Chapas, imanes y otros espejismos
    * Ediciones Valientes (Valencia) Martín López Lam : Panorama actual de la autoedición de ilustración y cómic en Valencia
    * Eolas Ediciones (León) Felipe Zapico : Litro de versos y otros chupitos
    * Ediciones de la Discreta (Alpedrete, Madrid) Juan Varela-Portas : La tensión entre lo comercial y lo cultural: ¿es “industria cultural” un oxymoron?La experiencia de Ediciones de La Discreta

    17:00h. Teatro del mar
    * Montflorit Edicions (Cerdanyola del Vallés, Barcelona) Josep Mª Riera : Ediciones de vanidad o ediciones de supervivencia
    * Voces del Extremo (Moguer, Huelva) Antonio Orihuela : Diez años en el extremo
    * Aire (Teiá, Barcelona) Joan Casellas: Fotografía versus arte de acción y viceversa
    * Poesía en la distancia (Huelva) Pedro J. Martín Pedrós y Lupe García Anaya : Sueños encontrados
    * Tres en Suma (Madrid) Olga Antón : Presentación de Tres en Suma
    * Vozquemadura (Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, México) Fabián Rivera : Internet como medio de difusión de las artes: revistas electrónicas de literatura en México

    19:00h. Teatro del Mar
    * La Más Bella (Madrid) Diego Ortíz y Pepe Murciego : Carta al Director
    * Revista de Letras (Barcelona) Albert Lladó : La prensa cultural online. Retos y objetivos
    * A Fortiori Editorial (Bilbao) Nati de la Puerta : La visibilidad en editoriales PPIS
    * Luces de Gálibo (Girona / Málaga) Ferrán Fernández : Presentación de Luces de Gálibo
    * Editorial Travesías (Barranquilla, Colombia) Mª del Carmen Martínez : E-marketing de las editoriales independientes colombianas
    * Árbol de Poe (Málaga) Francisco Cumpián : Presentación de El Cuervo de Edgar Allan Poe

    23:00h. El Casino (Plaza Pérez Pastor s/n)
    Recitales, performances y microconciertos
    1ª PARTE
    Yrene Santos (República Dominicana), Mª Jesús Fuentes (Ceuta), Juana Ramos (El Salvador), Manuel Maciá (Elche, Alicante) “Propuestas para cambiar el mundo” (perfomance), Fabián Rivera (Txula Gutiérrez, Chiapas, México) “En aras del silencio”,Uberto Stabile (Valencia), Inma Luna (Madrid) “No estoy limpia” Ferrán Fernández (Girona / Málaga) “Guía del odio”, Valeria Guzmán (Guadalajara, México) Rogelio J. Pérez (Mislata, Valencia) “Tumba Swing Monobanda, historieta e ilustración” (microconcierto)

    2ª PARTE
    Francisco Cumpián (Málaga), Elizabeth Hernández (Monterrey, Nuevo León, México), Eladio Orta (Ayamonte, Huelva), Jon Andoni Goikoetxea (Barakaldo, Bizkaia) “El hijo de Plutón, llamado Plutonio, viaja a la tierra por segunda vez“ (performance), Adriana Hernández y Miguel Angel Hernández (Puebla, México) “Trío Talavera: Música Mexicana” (microconcierto)
    Marcos Farrajota (Cascais, Portugal) “Sesión DJ”

    Poesia em Ceuta


    La Fundación Ceuta Crisol de Culturas 2015 ha organizado para el próximo 6 de mayo el I Encuentro Poético Internacional «Crisol de Culturas», que reunirá en la ciudad a algunos de los mejores poetas contemporáneos de España, Portugal y Marruecos. En total doce escritores, siete españoles, tres portugueses y dos marroquíes, que pondrán en común sus visiones en un acto que se celebrará a partir de las 20.00 horas en el Salón de Actos del Palacio de la Asamblea.

    La poesía de los tres países se dará la mano en este evento con el que la Fundación pretende acercar la cultura de España, Portugal y Marruecos. En el encuentro participarán los españoles Jesús Hilario Tundidor, Juana Castro Muñoz, Dolors Alberola, Domingo F. Faílde, Nuria Martínez Vernís, Carlos Guerrero y María Jesús Fuentes, los portugueses Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené y Maria Do Sameiro Barroso y los marroquíes Khalid Raissouni y Mezouar El Idrissi, que leerán algunos de sus poemas.

    La velada estará amenizada, además, por el pianista Ángel Hortas y la soprano Inmaculada Almeda. Ángel Hortas (Jerez de la Frontera, Cádiz, 1967) es profesor numerario y jefe de estudios del Conservatorio Joaquín Turina de Sanlúcar de Barrameda. Por su parte, Inmaculada Almeda (Puente Genil, Córdoba), licenciada en Canto con matrícula de honor y Premio Fin de Carrera del Conservatorio Superior de Córdoba, se ha movido en diferentes registros, desde óperas de Verdi o Mozart, a libretos de Rossini, pasando por la zarzuela. Jesús Hilario Tundidor (Zamora, 1935) consiguió en 1962 el premio Adonais por Junto a mi silencio. Después de este trabajo le siguieron otros.Dolors Alberola (Sueca, Valencia, 1952), cuenta con un buen número de obras premiadas, entre las que destacan Cementerio de Nadas (Carmen Conde, 1998), Historias de snack bar (2000). Ha sido traducida a varios idiomas entre ellos al francés, italiano, ruso y serbio.
    Juana Castro Muñoz (Villanueva de Córdoba, 1945) es poeta, articulista y crítica literaria. Este año acaba de recibir el Premio de la Crítica de poesía por sus Cartas de enero. Medalla de Oro de Andalucía en 2007, también ha obtenido los premios Carmen de Burgos y Meridiana.
    Nuria Martínez Vernís (Barcelona, 1976) obtuvo los premios Amadeu Oller y el Memorial Anna Dodas con su primer libro de poemas, El acróbata tampoco saldrá ileso (2000).Carlos Guerrero (Zamora, 1943) ha obtenido diversas distinciones como el Premio Martín Carpena de relatos (2001).
    Domingo F. Faílde (Linares, Jaén, 1948), ha obtenido, entre otros, los premios Juan Alcaide (1987), Ciudad de Algeciras (1991), Miguel Hernández (1993), Antonio González de Lama (1994), Cálamo (2003) y Arenal de Sevilla (2004).María Jesús Fuentes, malagueña de nacimiento y profesora del IES Siete Colinas, obtuvo el premio Ciudad de Coria de relatos con El maleficio de los Bogavante.Fernando Esteves Pinto (Cascais, 1961) Prémio de revelação de poesia Inasset - Centro Nacional de Cultura.
    Tiago Miguel Serrano Pereira Nené, más conocido como Tiago Nené (Tavira, 1982), debutó en el mundo de la poesía en 2007 con el aplaudido Versos Nus.
    Maria do Sameiro Barroso (Braga, 1951), licenciada en Filología Alemana y en Medicina y Cirugía, ha ganado el Premio Palabra Ibérica.
    Khalid Raissouni (Casablanca, 1965), poeta, traductor y colaborador habitual de prestigiosas publicaciones del mundo cultural árabe como Al Quds o Nizwa. Mezouar El Idrissi (Tetuán, 1963) es poeta, crítico y traductor. Doctor en Literatura Árabe, miembro de la Unión de los Escritores de Marruecos.

    António Ramos Rosa


    Na Biblioteca Municipal de Olhão, dia 11 de Maio pelas 18h, apresentação do Livro "Prosas Seguidas de Diálogos", por Manuel Madeira.

    Projecção do filme "À conversa com António Ramos Rosa", realizado por Adão Contreiras.

    O Tempo que Falta

    António Ramos Rosa



    Balanço literário de Hugo Xavier


    O Top 10 literário, pelo editor Hugo Xavier. AQUI
    Mais um balanço literário: AQUI

    .Brutal - de Fernando Esteves Pinto - Ulisseia

    Várias coisas obrigaram-me a publicar este livro. A primeira delas será o facto de em anos de receber milhares de originais, ver pela primeira vez um original que, à excepção de ligeiras correcções de texto, não precisava de nada. Era uma obra perfeita em si. O segundo motivo está em que esta é uma obra diferente de tudo quanto se pode ler na moderna literatura portuguesa. Na sessãod e apresentação da obra, decorrida na Feira do Livro, tive oportunidade de o dizer. Há muito poucas literaturas no mundo que se possam orgulhar de ter objectos literários que não se encaixam bem em escola ou movimento nenhum e ainda assim são grandes obras. Cá em Portugal temos duas O «Húmus» de Raúl Brandão e este livro de FEP e o curioso é que em muitos pontos estas duas obras tocam-se sem se imitarem.

    Este livro é um brutal retrato sobre as relações humanas através dos traumas sexuais e psicológicos. É uma obra dura, é uma obra violenta é um grande romance.

    Para o Rui Costa

    Naturalmente que a amizade constrói em cada um de nós
    múltiplos compartimentos que nos protegem da solidão.
    Agora, ao sentir uns passos teus no pensamento,
    apercebo-me de que o meu edifício sentimental
    abre as suas portas, como se este movimento romantizado
    revelasse um fragmento incómodo que alguma presença
    impusesse por erro.

    Intensas portas o encerram sem um único sinal habitável.
    Não há solidão mas pedras sobre pedras.
    Não há palavras mas outros caminhos
    a partir das palavras.
    Ele permanece no seu anel
    mas é a totalidade que atinge o universo.
    Fernando Esteves Pinto

    Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

    Algarve - 12 Poetas a Sul do Século XXI


    Biblioteca Municipal Álvaro de Campos,2 de Maio, pelas 18h

    Apresentação:Vítor Cardeira

    Leitura de poemas por Gisela Ramos Rosa

    Esta antologia, intitulada Algarve — Doze Poetas a Sul do Século XXI, contempla doze vozes muito diferentes da poesia actual. O título não poderia ser outro: Doze Poetas a Sul, pois não se trata, como o leitor poderá facilmente constatar, de uma reunião de poetas «do sul». (…) Mais justa e rigorosa se torna a edição de doze poetas que, apesar de não terem todos a mesma região por nascimento — o Algarve — representam, de algum modo, esse lugar de onde são originários alguns dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Bastaria, para comprovar o que se disse, indicar os nomes de António Ramos Rosa (Faro, 1924), Gastão Cruz (Faro, 1941) e Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande, 1949).

    Prefácio de António Carlos Cortez

    Casa Fernando Pessoa


    Ricardo Adolfo «Maria dos Canos Serrados»



    Ricardo Adolfo continua a dar cartas no mundo da nova ficção nacional. O autor de Mizé – Antes Galdéria do que Normal e Remediada e Depois de Morrer Aconteceram-me MuitasCoisas apresenta-nos o romance de uma anti heroína de vinte e poucos anos residente na zona da Linha de Sintra.

    Maria, uma rapariga que estudou numa faculdade de Lisboa, vê-se no desemprego, com salários em atraso, a partilhar uma casa com uma raparigas da má vida e ardentemente apaixonada por Velhinho, um gigolo profissional que anda pelo Algarve a fazer turistas. Ricardo Adolfo escreve capítulos curtíssimos e em conformidade com a rapidez e o calão que as suas personagens debitam na narração e diálogos, iniciando cada novo capítulo em forma de um diário onde Maria regista os seus pensamentos e sonhos; são sempre dirigidos ao tal Velhinho:

    «Velho verme,

    Estamos com um ódio canídeo à tua pessoa e ao resto do mundo. Estamos prestes a ir ao Nandos comprar uma fusca que te desfaça a carapinha e o nariz empinado em milhares de bocadinhos pequeninhos».

    Perante a corrupção da empresa onde acaba de ser despedida, a inoperância dos sindicatos e a falta de resposta por parte da Segurança Social, Maria vê-se obrigada a safar-se como pode no país do “desenrascanço”. Como distracção, Maria e as amigas vão a Rio de Mouro ao Bar e Salão de Fogo Nandos, um espaço localizado no terceiro andar de um prédio, onde os fregueses podem disparar armas de fogo contra a parede. À medida que a nossa protagonista fica expert na arte de disparar e a sua vida pessoal e mercado de trabalho caminham para o precipício, Maria deseja ardentemente adquirir uma Baikal de canos serrados para entrar no mundo dos criminosos.

    Repleto de vernáculo e linguagem popular, esta Maria dos Canos Serrados retrata fielmente a realidade de muitos jovens portugueses que frequentaram o ensino superior sem porém terem argumentos e oportunidades no mercado de trabalho que lhes estava destinado; a corrupção no mundo empresarial português é igualmente visado sob um olhar extremamente irónico, como aliás o autor nos tem habituado.