sábado, 5 de março de 2011

SOBRE PORTUGAL


Nestes Tempos do Fim onde merecemos viver, pois que neles nascemos — e onde, portanto, temos de viver assumindo, cada um de nós, o nosso destino como parte, também, das egrégoras (das pessoas colectivas) às quais estamos ligados —, a Poesia deveria ser particularmente iluminadora. Mais do> que em qualquer outro sítio, ela o tem sido, de facto, em Portugal. Bastará que lembremos essa vanguarda da época das vanguardas, objecto recente das atenções duma crítica (o tex-tualismo acudindo ao historicismo) que ameaça sacrificar o que elas dizem, em benefício da época em que o diziam e da maneira como o diziam. No conjunto das vanguardas europeias, a vanguarda portuguesa é aquela que mais depressa assumiu) sem equívoco ainda que numa ordem dispersa', aquilo a que chamo a fatalidade da modernidade: simultaneamente ao que ninguém, no nosso tempo, pode escapar, e aquilo que, longe de libertar o homem, como lhe repetem há dois séculos, o degrada cada dia que passa.

A vanguarda portuguesa foi a única, de todas as vanguardas europeias, que ulteriormente reencontrou a tradição, no sentido ultra-religioso do termo.

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